Torta de Mamona,
Farinha de Ossos Calcinados,
(adubos, adubos, adubos),
Minhocas.
Nutrir-se da terra.
Nutrir-se da Terra.
Alimentar-se,
crescer,
evoluir.
Florescer.
Colher os frutos da terra.
Os filhos da Terra.
sábado, 24 de abril de 2010
quarta-feira, 17 de março de 2010
Fluência em Adágio
Olho pro céu:
está vazio.
O Frio enche meus pulmões,
o silêncio do vento fala comigo.
A luz fraqueja.
A noite late.
A dança da solidão
está estável no concreto.
Meu sangue vagueia
latino ou não.
Voracidade do viver.
Renasci.
O Sol ardente da manhã
tarda a chegar.
Mais uma manhã fosca
de chão queimado,
asfalto seco,
olhos molhados.
Antes que a Lua se vá,
Choverá.
Daqui a alguns dias,
Doce ilusão.
O céu de todos nós
está vazio.
E se envaidece com novos ventos
de silêncios que falam comigo.
O Sol ardente da manhã
tarda a chegar.
Novo dia embaçado
de chão queimado, asfalto seco e olhos molhados.
Antes que a lua se vá
trazendo uma esfera de energia.
Antes que a luz não mais fraqueje
e a noite cesse o seu rugir,
Choverá.
Gira-lua,
sem solidão.
O Sangue pulsa,
latino ou não.
A Cor renasce,
doce ilusão.
está vazio.
O Frio enche meus pulmões,
o silêncio do vento fala comigo.
A luz fraqueja.
A noite late.
A dança da solidão
está estável no concreto.
Meu sangue vagueia
latino ou não.
Voracidade do viver.
Renasci.
O Sol ardente da manhã
tarda a chegar.
Mais uma manhã fosca
de chão queimado,
asfalto seco,
olhos molhados.
Antes que a Lua se vá,
Choverá.
Daqui a alguns dias,
Doce ilusão.
O céu de todos nós
está vazio.
E se envaidece com novos ventos
de silêncios que falam comigo.
O Sol ardente da manhã
tarda a chegar.
Novo dia embaçado
de chão queimado, asfalto seco e olhos molhados.
Antes que a lua se vá
trazendo uma esfera de energia.
Antes que a luz não mais fraqueje
e a noite cesse o seu rugir,
Choverá.
Gira-lua,
sem solidão.
O Sangue pulsa,
latino ou não.
A Cor renasce,
doce ilusão.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
A praça dos Farrapos (No beco sujo do mundo - parte II)

Hoje sentei no banco da praça
esperando a hora do meu sustento
Levantei, empalideci e parei
e o chapelão de palha no chão deixei.
Minha monotonia é inconstante
o sol queima como caju
A chuva encharca meu peito nu
e o pagamento no meu chapéu
é poeira lançada ao léu.
Volto à noite soturna e rígida
Seu Genário, ó Sexagenário
velho de olhos adocicados
morreu de tiro farpado
daquela carreira que deu
como inhá Judia morreu.
O banco da praça rachado
rasgou por fim meus farrapos
É inferno pegando fogo
é sede desesperando
Governo de orelha e rabo.
Amanhã já vi de longe
que a porta do circo fechou
Meu chapéu não é de mago
não tem disco voador
A moeda de um centavo
vendo ao nosso Sinhô.
domingo, 24 de janeiro de 2010
Vivência

Na verdade penso em outro lugar.
Penso na essência do tabaco nato,
mato morto, fogo corrente,
brisa forte do mar.
Cantar das ondas,
suspiro do vento,
telhas encardidas,
molhadas, queimadas.
Gente nova e velha;
gente feliz.
Risos e estórias;
armações à luz da lua na calçada.
Trovoada, pés sujos,
melados de areia grudenta.
Cobra, cachorro sarnento,
bicho-de-pé e de porco.
Cavalo ferido,
boi abatido,
homem de olhos diferentes,
gato de um olho só.
Cheiro de tinta,
cheia de terra.
Caju e castanha torrada,
carne assada na toada da noite.Sol amarelo-laranja,
chuva macia,
suco de manga.
Comer até estourar,
tubaína, cuscuz e mungunzá.Cansanção, escuridão, vela acesa,
lanternas em buracos de areia.
Siri, guaiamum e caranguejo,
côco verde no coqueiro lá do beco.Pôr-do-sol, caminhada, quebra-mar,
banho de chuva, de mangueira e de luar.
Banheiro que aparece até gia,tubarão que cheira à melancia.
Feridentas e traquinas crianças,
que faziam de um rabo, uma trança.Aprender a andar de bicicleta,
rala joelho, rala mão e quebra a testa.
Menininha que dorme bem lá na rede,
ouve estórias de estrelinhas bem brilhantes.Vai fechando os seus olhos cintilantes,
e em seu sonho, lua-sol com tinta verde.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
No beco sujo do mundo

No beco sujo do mundo
o sal ardia nos olhos dos pescadores
Mãe Menininha cantava de joelhos
pedindo a volta dos que não foram.
Cão côxo corria maldito,
a mãe de Judas morreu!
pedindo a volta dos que não foram.
Cão côxo corria maldito,
a mãe de Judas morreu!
No beco sujo do mundo
dois galões vazios
desfaleciam soturnos.
Pro céu descolorido Pai Santo olhou
Pro céu descolorido Pai Santo olhou
e a boca abriu,
a língua ergueu
e seco chorou.
A cor do milho sumindo,
galinha murcha ficando.
galinha murcha ficando.
É cana-sem-açúcar,
feijão de corda torando,
mandacaru fulorando
E o bucho aqui me matando.
feijão de corda torando,
mandacaru fulorando
E o bucho aqui me matando.
O luar que tardava a chegar,
o sol queimava sem cessar.
E na areia que secava até rachar,
vaca ossuda empacou.
Sou nordestino nato
não trabalho no mato,
mas minh'alma é de batalhador.
Acordei num beco profundo,
e no beco sujo do mundo
filho e meio a seca me tirou.
sábado, 24 de outubro de 2009
Luz

''Enquanto seu olhar negro, penetrante, rastejava de piedade diante de mim, suas mãos longas e envelhecidas tateavam às cegas meu rosto despido. O Sol por fim parou de chover andorinhas, mas o arrastar das folhas ainda me intimida suspiro ante suspiro:
- Vou contigo.
E partimos pro pôr-do-sol da esquina ao lado.''
Conversa pra boi sorrir

Divida a Lua comigo, ué! A pobre coitada é tão grande e branca que há de caber duas pessoas ali. São Jorge matou o dragão, lembra? E agora que partiu com aquele cavalo preguiçoso, tem espaço de sobra naquelas crateras. Ah, queres assim?! Então sabe de uma coisa? Ela brilha tanto que prefiro ver daqui, e quem sabe, imaginar o que possa existir além daquelas nuvens espaçosas. Daqui o tamanho da imensidão é comparado aos nossos olhos arregalados de tanto almejar a vinda dessa lua nova que já tá mais do que velha.
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